O Carnaval do Diario de Pernambuco

EU SOU AQUELA DE PERUCA AMARELA LÁ NO FUNDO...
O clima na redação era esse... F* trabalhar assim, não dá para se concentrar! Teve até concurso de fantasias. No final da tarde a empresa colocou uma orquestra para tocar aqui na frente. Uma tortura!
O Carnaval de Pernambuco

Amanhã, Sábado de Zé Pereira, começa oficialmente o Carnaval de Pernambuco. Oficialmente, porque extraoficialmente já temos Carnaval desde o início de janeiro. Aliás, o reveillon já é a prévia do Carnaval.
O meu Carnaval, entretanto, começa hoje. Ao contrário dos anos anteriores, passei incólume por todos esses dias, não fui a prévias, não frequentei Olinda nem o Bairro do Recife. Mas hoje o bicho vai pegar. O clima já começa na redação, com todos fantasiados e eu com a minha fiel peruca amarela. A noite se estenderá com algumas possibilidades - Nem Sempre Lili Toca Flauta, a abertura oficial etc etc

E amanhã... Bem, amanhã tem o Galo. Não dá pra perder. Estarei lá no camarote da Globo/TIM, na Guararapes, fazendo todos os passos. É a festa mais democrática de Pernambuco. Ali brincam ricos e pobres, jovens e velhos. 1 milhão de pessoas, falam até em 1,5 milhão... É como se, a cada ano, a gente tivesse nosso próprio show dos Stones... No lugar das guitarras, os clarins. No lugar da bateria, os tambores. E enquanto os trios (trios que tocam frevo, não axé) vão passando você vai pensando que o Carnaval está só começando...
Se bem que, pelo menos pra mim, o Carnaval começa nesta sexta e termina amanhã no Galo. Este ano não estou muito foliã, quero descansar no domingo e na segunda. E na terça eu trabalho.
Amém.

A Claro/Motorola disponibilizou um site com fotos legais do show e da área VIP. Vale a pena dar uma olhada pelo menos nas do show.
Para sempre

Normalmente não aprecio os comentários de Jabor, mas hoje li e gostei muito de uma crônica "Rolling Stones existirão para sempre", de onde retirei o trecho abaixo:
"Eis que então, sábado, vi os Rolling Stones em Copacabana, num ritual entre águas, fogo, dois milhões de pessoas, símbolos projetados em telões e um show poderoso, um bombardeio de maravilhas de som e luz. Quem produz hoje música com essa beleza convulsiva? Quem? E tive a sensação inapelável e brutal: hoje estamos no passado daquele futuro. Explico: Sábado, Copacabana parecia mergulhada magicamente nos anos 60/70, com um vento de esperança e militância artística de 30 anos atrás."
Texto completo da coluna aqui.
Publicado em 21/02/06
E o site iGPop fez um álbum virtual com fotos bem legais do show. Não deixem de conferir!
O show do século

EU FUI. VI. SOBREVIVI
E estou profundamente arrependida de não ter levado máquina fotográfica. Os registros acima foram feitos do celular. Por sorte, quando os Rolling Stones deslizaram até o palco B, eu estava lá. Bem pertinho. E tudo está muito bem guardado na memória. Pra ajudar, ainda trouxe camiseta e plaquinha...
A ida ao show estava planejada desde novembro. Iríamos - eu e Vilma - mesmo que fosse pra ficar na pipoca. Pintou o lance da área VIP da Claro/Motorola, melhor ainda. Compramos passagem, agilizamos hospedagem na casa de uma amiga e lá fomos nós.
Já fui a muitos shows de grande porte. No final dos 80's e início dos 90's vi Nina Hagen, Supertramp, Tears for Fears, Tina Turner, Bob Dylan. Mas nada além de 120 mil pessoas em estádios como Pacaembu e Morumbi, em Sampa. A previsão de 1,5 milhão me apavorava!!! Diz a organização que foi o maior show de uma banda em todo o show business. Afora os grandes festivais (Monterey, Woodstock, Ilha de Wight), nenhum teve um público desse tamanho.
E ainda passamos um sufoco desnecessário. Perdemos o time do show, chegamos tarde, por volta das 20h. Não sabíamos onde era a entrada da área VIP e fomos parar no meio da muvuca, em frente ao Copacabana Palace. Empurra-empurra, larápios querendo meter a mão no bolso da gente, falta de ar. Chegamos a pensar em procurar um boteco pra tomar uma cerveja e ver o show pela televisão!!! Num lampejo de sabedoria paramos, respiramos como era possível e tivemos a brilhante idéia de procurar atrás do palco. E pimba! Os caminhos foram se abrindo aos poucos. Quando entramos na área VIP pegamos uma cerveja, sentamos e olhamos uma para cara da outra pensando "Eu não acredito que conseguimos!!!" VIPs como Arnaldo Antunes e Supla passavam perto da gente nessa hora.
Mesmo assim ainda não tínhamos noção do que era tudo aquilo. Pegamos mais cervejas e fomos pra frente do palco. Não acreditamos que todo aquele espaço era nosso. Nos posicionamos estrategicamente nos fundos da área VIP onde sacamos uma visão legal do palco e ficamos por ali, com apenas uma cerca nos separando da muvuca e bem ao lado do palco B.

ANTES DO INÍCIO DO SHOW: "SERÁ QUE EU TÔ AQUI MESMO???"
E aí o show começou e nós começamos a pular. Fomos pra perto do palco principal pra ver mais de perto, Gimme Shelter, Wild Horses, It's Only Rock and Roll (But I Like It), um sucesso atrás do outro. E depois voltamos correndo quando o palco começou a deslizar em direção à multidão... Jagger cantando I Miss You... E na volta que surpresa agradável, Sympathy For the Devil... Com direito a capa e cartola pretas... Muitos momentos memoráveis...

EU E VILMA LÁ PELO MEIO DO SHOW, FELIZES COMO PINTOS NO LIXO
E o show continuou. Midnight Rambler, outra boa surpresa. Angel não cantaram, nem Like a Rolling Stone. O show acaba sem ninguém se dar conta, eles voltam pro bis e detonam Satisfaction. Jagger com a camisetinha do Brasil escrito ainda por cima Rio de Janeiro...

SIR JAGGER: TANQUINHO
Claro que a foto não é minha... Mas tiro o chapéu para Sir Jagger... Aos 62 anos e com essa barriguinha!!! Vai ser conservado no formol (ou no álcool, ou nas drogas) assim no inferno!!! O Keith "Cadaveric" Richards também não estava mal na fita. Banda em forma. Farão outra turnê desse porte??? Não, acho que essa foi a despedida. E eu estava lá.
No final do show ainda sentamos lá dentro, esperando a galera VIP ir embora pra "descraudiar". E eles passavam - Rodrigo Santoro, Murilo Benício, Caio Blat, aff... Nem quero lembrar. Depois andamos pra caramba tentando achar um lugar chamado Copa D'Or. Marcamos lá com uns amigos do Recife. Chegamos em frente ao local e descobrimos que lá era... Um hospital. E não tinha sequer um rosto conhecido. Não tivemos dúvidas: vislumbramos um boteco na esquina e foi ali mesmo que ancoramos. E sorvemos muitas outras cervejas. E depois fomos pra casa felizes da vida. Pés doendo, tênis cheios de areia, suor, calor, nada, nada, nada estragava a noite. Era a noite perfeita.
No domingo ainda conseguimos encontrar o povo. Tomamos uns chopes na Atlântica. Depois outros tantos no Butesquina, um boteco na esquina de onde estávemos hospedadas (Rua 5 de Julho esquina com Santa Clara). Se forem ao Rio não deixem de ir lá. Um dia antes vi a Martinália sentada na mesa ao lado.
Finalizo este post vendo o show do U2 em São Paulo... Pela TV, é claro. Eles cantam agora Pride - In the Name of Love. Se eu gostaria de ter ido??? Nein... Nem gosto deles!... Brincadeirinha. Claro que eu queria estar lá, agora, neste momento. Mas estou feliz de ter feito a escolha certa. Afinal, quantos fãs puderam ter a sorte de ter visto os Stones de tão perto como eu vi? Sem falar que o povo da área VIP nem se mexia. Acho que 2/3 dos que estavam ali nem sabiam por que. Acho que somente pelo status... Poucos cantavam, pulavam, enlouqueciam como eu e Vilminha. Eles não sabem o que fazem... E vou dormir daqui a pouco pois cheguei às 3h da manhã. Dormi pouco, ainda estou de ressaca, as músicas do show ainda ecoam na minha mente. E o Bono Vox detona agora Where the Streets have no Name. Um belo hino. Boa noite zzzZZZZZZZZ
Três letras bastam: VIP

Bem... Eu estava exatamente nesse cantinho, no canto direito inferior da foto, aos pés do rei Jagger. Fui uma das 4 mil pessoas privilegiadas que ficaram na área VIPérrima da Claro/Motorola. Vi os Stones a cinco metros... Depois conto mais detalhes!!!
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O show na imprensa Canja pro texto do Renato L, colega do DP, que encontrei depois do show assim como eu, extasiado e procurando desesperadamente uma cerveja... VIVER |
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Rolling Stones fazem show memorável |
Majestades sexagenárias do rock and roll levaram mais de um milhão de pessoas ao êxtase, no espetáculo histórico na praia de Copacabana, sábado, no Rio de Janeiro |
| Renato L Enviado especial |
| Rio - Um milhão de pessoas. Como no Galo da Madrugada. A essa altura do campeonato, quase trinta horas depois do show dos Stones, o leitor provavelmente já sabe que uma multidão incalculável lotou as areias de Copacabana no último sábado. E que - para surpresa dos mais apocalípticos - as baixas foram insignificantes, os casos mais graves ficando por conta de três esfaqueamentos sem vítimas fatais. O que o leitor talvez não saiba, é que, na verdade, tivemos dois shows na orla da cidade maravilhosa. Um para os quatro mil VIPs que ocuparam o espaço reservado em frente ao palco. Outro para o restante do público, separado dos privilegiados por grades e seguranças e colocado a quilômetros dos músicos. Os primeiros viram Mick Jagger e cia. de uma distância que, a custa de um razoável esforço, podia mal passar dos quinze ou vinte metros. Os segundos - muitos acampados desde o dia anterior - tiveram que se contentar com os telões espalhados pela praia. "It's only Brazil and i don't like it...". Felizmente, os Stones carregam consigo anos e anos de experiência na arte de organizar o circo do rock and roll. A julgar pela reação entusiasmada do público, os benditos telões e as 16 torres de som foram suficientes para minimizar os efeitos do muro erguido entre VIPS e comuns. A noitada, portanto, merece com todas as honras o adjetivo de "memorável!". Poucas palavras são necessárias para tratarmos do que rolou antes de Jumpin'Jack Flash marcar a entrada de suas majestades sexagenárias. O Dj Janot, a primeira atração escalada, não disse a que veio e, sinceramente, mal merece ser considerado um disc-jockey de verdade. O AfroReggae - trabalho social de primeira à parte - parece um clone de terceira categoria da Nação Zumbi e cometeu uma releitura criminosa de Imagine (John Lennon). E os Titãs, bem os Titãs servem para ilustrar a diferença entre uma banda clássica, como os Stones, e outra com a data de validade vencida. Esse começo pouco promissor desapareceu da memória mal Mick, Keith e cia. surgiram com pontualidade global. Não é à toa que A Bigger bang tour recebeu elogios da crítica em sua passagem por outros continentes. Fora o imenso telão atrás dos músicos e um segundo palco móvel que deslizou até ao meio da multidão, não houve aquela pirotecnia irritante dos grandes shows de rock. O repertório concentrou-se nos clássicos de 67/77, sem ligar para os desastres posteriores, salvo às exceções de praxe (Start me up...). E os Stones mostraram cada uma das qualidades que lhes deram o eterno título de "melhor banda de rock" do planeta. A começar por Mick: juro que é a mais pura verdade, nenhum truque televisivo: o homem não tem barriga alguma aos 62 anos! Seu corpo esguio ainda lhe permite sem problemas encarnar "Mick Jagger" e - a julgar pelos avanços da medicina esportiva e da força de vontade desse leonino - essa bem pode não ser "a última excursão dos Stones". E como canta o sujeito, ainda com a voz intacta em pleno biz! E ocupa cada pedacinho do imenso palco! Um mito em ação, nada mais, nada menos! O outro mito, "Keef"Richards, ao vivo parece ainda mais encarquilhado e esquelético, mas carrega aquela aura de nobreza que os sobreviventes ostentam. Ao lado de Ron Wood, fez um trabalho maravilhoso nas guitarras, retrabalhando como um ourives as pérolas em forma de riff roubadas de Chuck Berry. De certa forma, Keith está para o rock como João Gilberto para a bossa-nova, dedicado a aprimorar uma forma por décadas a fio. Juntos, eles entreteram a massa e os VIPs: Rodrigo Santoro (magérrimo!), Suzana Vieira (de pé quebrado), Malu Mader, Júnior, Beth Lago, Thiago Lacerda, Mariana Ximenez, Delcídio Amaral (o da CPI), Alessandra Negrini e dezenas de outros mais ou menos votados. Para este repórter - que nem nos seus melhores sonhos pensou em ver os ídolos da adolescência tão de perto - o ponto alto ficou por conta de Midnigh Rambler seguida da homenagem a Ray Charles, The Right Time is the Right Place. Blues e rhythm and blues num suado corpo a corpo para levar Copacabana ao êxtase. Se fosse o último show da carreira dos Stones, seria a despedida perfeita... Bastidores Os verdadeiros VIPs - Calvin Klein, Quincy Jones, Gilberto Gil.... - ocupavam espaço à parte na área VIP, separados por grades e seguranças da multidão de... VIPs. Números do evento: 4 mil convidados na área VIP. 170 toneladas de equipamento. 200 banheiros químicos. 10.000 policiais. 600 bombeiros. 4 toneladas de alimentos servidos para os convidados. Os Stones tocaram quatro faixas de A Bigger Bang, o último CD. A melhor delas foi Oh, no, not you again - dizem as más línguas uma "homenagem" a Luciana Gimenez. A pior foi Rough Justice, talvez o momento mais fraco do show. Antes do show, o repórter vai até a cerca e bate um papo com a moçada que se espremia por lá. Um rapaz de 19 veio de Curitiba, de carona, sem um tostão no bolso. Chegou na quinta, forrou um lençol e dormiu na areia. Ao seu lado, um casal de argentinos, de Missiones. O marido já viu 7 vezes os Stones. Todos reclamam da distância do palco. Estão sem água e comida e não podem se mover se não perdem o lugar. Um caso para missão humanitária da ONU... "Que noite linda para um show!", diz Mick Jagger em português de gringo. |
Publicado no Diario de Pernambuco em 20/02/06.
Link para a matéria de Jamari França, colunista de O Globo, muito boa também.

Na versão impressa de O Globo saiu essa. Achei a capa do Segundo Caderno muito boa.
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