Super-heróis e a filosofia

Em tempos de "Superman, o Retorno", não poderia ser mais apropriado o livro que estou lendo: "Super-Heróis e a Filosofia - Verdade, Justiça e o Caminho Socrático". Organizado por Matt e Tom Morris, este livro traz  ensaios de vários especialistas em quadrinhos, muitos deles autores de histórias. Na verdade foi um presente da minha irmã no último Natal que ficou dorminho na estante todos esses meses. A Penhinha é bacharel em filosofia há quase 20 anos e foi com ela que aprendi a ler os grandes filósofos.

Para resumir, o livro questiona as origens, os poderes e a moral de alguns dos mais famosos super-heróis da história, sempre com referências a filósofos como Epicuro, Sêneca, Hegel. Começando pelo Super-Homem. Porque o Super-Homem faz o que faz? Por que ele, cujo personagem foi inspirado nos mitológicos Hércules e Sansão, gosta tanto de fazer o bem? Por que ele se preocupa tanto com as pessoas aqui da Terra e tenta salvá-las mesmo que para isso ele precise arriscar sua integridade física e até sua vida? São perguntas que o autor tenta responder.

A história de Batman também é bem interessante. Ele é um dos poucos super-heróis que não possui super-poderes. Trata-se de um homem comum, obcecado em combater o crime. E o Demolidor? O Homem sem Medo é católico até a alma. E por que ele não tem medo, se é católico? Afinal a fé só não surge quando se teme alguma coisa - sofrer, sentir dor, morrer?

Sempre fui fã de quadrinhos, embora hoje não compre revistas com tanta freqüência quanto antigamente. Frank Miller, Crepax, Milo Manara, Neil Gaiman... São muitos os autores favoritos. A transposição das histórias para cinema nem sempre é feliz. Lembro que fui ver "Ultravioleta" e saí decepcionada. Mas Superman acho que vale a pena. Os dois primeiros filmes com Christopher Reeve são inesquecíveis.

Racional

Raras vezes eu me empolgo tanto com um disco como ando empolgada por "Racional", do Tim Maia, que a Trama lançou recentemente. A febre anterior era "Universo ao meu Redor', da Marisa Monte, que só faltou furar de tanto que tocou.

Bom, "Racional" é um disco especial por vários motivos. Pra mim o mais importante deles é o fato desse disco ter ficado muito tempo "perdido", vendido a peso de ouro nos sebos país afora. Eu já tinha uma cópia dos volumes 1 e 2 em MP3, mas nada se compara à sensação de ter o CD em mãos, manusear o encarte etc.

A historinha por trás desse disco também é muito interessante. Entre 1974 e 1976 Tim Maia tornou-se o principal porta-voz da Cultura Racional, aquela do livro "Universo em Desencanto". A fase mística revelou-se bastante criativa, com Tim explorando à vontade ritmos como soul e rhythm'n'blues, com muitos solos de guitarra, pitadas de gospel. O disco já abre com o petardo "Imunização Racional (Que Beleza)", de fato uma beleza de música. E fecha com outra pérola, "Rational Culture". O trecho abaixo foi reproduzido do site da Trama:

"Quando aderiu à Cultura Racional, foi com o fervor típico de quem descobre “o caminho”. Como fazem os discípulos mais aplicados, Tim se dedicou de corpo e alma à nova crença: abandonou antigos hábitos, rasgou contratos que garantiam sua sobrevivência, forçou os músicos que o acompanhavam a comungar da mesma crença e, acima de tudo, pôs sua imagem e fama a serviço daquilo que se tornou sua razão de viver. Definindo a Cultura Racional como “um raciocínio superior a todos os raciocínios”, ele a defendia como sendo “a verdadeira luz da humanidade”. Tim Maia virou Racional por intermédio de Tibério Gaspar, compositor de BR-3 e Samarina. Lendo o livro Universo em Desencanto, ele se converteu a algo que é difícil de definir. Por isso mesmo, Tim preferia dizer o que a Cultura Racional não é: “Não é religião, não é seita, não é doutrina, não é ciência, não é filosofia, não é espiritismo. É um conhecimento vindo do nosso verdadeiro mundo de origem. Não é extraído de nenhuma mente humana”. (Celso Masson)

Reza a lenda que, após o "desencanto", Tim mandou recolher todas as cópias de "Racional" 1 e 2 e proibiu a execução das músicas nas rádios. Foi assim que os discos ficaram "perdidos" por tanto tempo, até que a família cedesse à trama exemplares originais em vinil para digitalização, pois até as matrizes Tim havia destruído. Muito bom, baratinho, custa R$ 21,90 no Submarino.

[ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: