Música

De graça na praça

Ah, também vi um show de graça na praça do Tom Zé... Na Moeda. Com muito som ruim, palco baixo e o povo agitado sem paciência de parar e ouvir. Mas valeu.

Jimi Hendrix 1

Ele foi beijar o céu
Trinta e cinco anos depois de sua morte, Jimi Hendrix continua vivo no coração de gerações de músicos ao redor do Mundo
Micheline Batista
DA EQUIPE DO DIARIO
"Viverei amanhã? Bem, não sei dizer, mas sei seguramente que eu não vivo hoje", cantava Jimi Hendrix em I don't live today, uma das faixas do seu disco de estréia, Are You Experienced?, em 1967. Três anos depois, em 18 de setembro de 1970, o músico foi encontrado morto, sufocado pelo próprio vômito, em um flat na região de Notting Hill, em Londres, após a ingestão de barbitúricos (Seconol). Tinha apenas 27 anos.

  Alguns falam em suicídio, nunca comprovado, outros em overdose. Uma lenda, aliás, que ronda outros mitos do rock, como Janis Joplin. Janis seria encontrada morta pouco tempo depois, no dia 4 de outubro do mesmo ano, num quarto de hotel em Los Angeles. Em julho de 1971, seria a vez de Jim Morrison, líder da banda The Doors, encontrado morto na banheira do seu apartamento, em Paris. A idade? Vinte e sete anos...

  O fato é que, passados 35 anos, o amanhã de Hendrix está mais vivo do que nunca. O guitarrista canhoto e autodidata acabou influenciando várias gerações de músicos, de Miles Davis a Mark Knopfler, passando por Steve Vai, Joe Satriani, Stevie Ray Vaughan e tantos outros. Pode-se dividir a história da guitarra em antes e depois de Jimi Hendrix. Ele soube explorar, como ninguém, todas as possibilidades do instrumento, combinando ritmo e distorção.

  Jimi Hendrix virou o rock de cabeça para baixo e, mais de três décadas depois, continua atual. Suas músicas freqüentam trilhas sonoras de filmes engajados, como Os Sonhadores (The Dreamers, 2003), de Bernardo Bertolucci, costurado ao som de Third stone from the sun. No Brasil, seu primeiro single, Hey Joe, ganhou versão do grupo carioca O Rappa, no disco Rappa Mundi, de 1996.

  Quem não viveu aquela época pode ouvir os discos e assistir aos vídeos para tirar suas próprias conclusões. Duas performances de Hendrix, pelo menos, podem ser classificadas como memoráveis. A pirotécnica, no Monterey Pop Festival (1967), incendiando a guitarra enquanto detona Wild thing, e a de Woodstock (1969), tocando o hino norte-americano (Star Splangled Banner). É. O negãotinha talento. E sabia como incendiar platéias.

Precoce - Jimi Hendrix nasceu Johnny Allen Hendrix - nome que depois o pai mudaria para James Marshall Hendrix - em 27 de novembro de 1942, em Seattle, Estados Unidos. Desde cedo começou a ouvir os bambas da época, incluindo B.B. King, Muddy Waters, Howlin' Wolf, Buddy Holly e Robert Johnson. Aos 12 anos ganhou seu primeiro instrumento - um violão usado de US$ 5 - e montou a primeira banda, The Velvetones.

  Nem o ingresso na divisão de paraquedismo da Força Aérea Americana, aos 18 anos, fez Jimi esquecer a música. Pelo contrário. A Guerra do Vietnã, além de uma costela quebrada, rendeu ao músico a parceria com o baixista Billy Cox, com quem montou a banda King Casuals. Mais na frente, Cox integraria a última banda de Hendrix, a Band of Gypsys.

  Mas foi somente em 1965, quando já morava em Nova York, que Jimi começou a galgar os degraus da fama. Tocava num bar em Greenwich Village quando foi visto por Chas Chandler, baixista da famosa banda inglesa The Animals. Chandler não só levou o guitarrista para Londres como também produziu seus dois primeiros álbuns.

  Em 1966, a cena inglesa era dominada por bandas do calibre dos Beatles, Rolling Stones, The Who e pelo Cream de Eric Clapton. Não deixando por menos, Hendrix chamou o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell para formar The Jimi Hendrix Experience, um dos mais poderosos power trio de todos os tempos. E começou a arrepiar o show business. O primeiro single, Hey Joe, permaneceu por dez semanas no topo das paradas inglesas.

* Continua *

Jimi Hendrix 2

Desejo de ressuscitar a Experience

Jimi só retornaria aos Estados Unidos em 1967 para participar do Monterey Pop Festival. No mesmo ano lançou Axis: Bold as Love e em seguida montou seu próprio estúdio em Nova York, o Eletric Lady. No ano seguinte lançaria Eletric Ladyland, o último suspiro da Experience. Em 1969, para se apresentar em Woodstock, o músico precisou reunir forças e acabou tocando com Mitch Mitchell, Billy Cox, Juma Sultan e Jerry Vélez, num arranjo que ficou conhecido como Gypsy Sun & Rainbows.

  A etapa seguinte era montar um novo trio e Jimi Hendrix convidou para a cozinha, além de Billy Cox, o baterista Buddy Miles, com quem já tocara na banda Eletric Flag. Eles passaram a se apresentar como Band of Gypsys em uma série de concertos em Nova York, depois compilados e lançados posteriormente no álbum homônimo. Em 1999, surgiram outras pérolas dessa época no álbum Live At The Fillmore East.

  Quando morreu, Jimi Hendrix trabalhava em um novo projeto na tentativa de ressuscitar a Experience. Chamou de volta Mitch Mitchell e manteve Billy Cox. Juntos, chegaram a gravar algumas faixas para um álbum intitulado First Rays of the New Rising Sun, depois finalizado pelo engenheiro de estúdio Eddie Kramer e lançado com o apoio da família em 1997.

  Consta que a última música de Hendrix foi composta na véspera de sua morte, em Londres - Story of Life. "The story of life is quicker/than the wink on an eye/The story of love/is hello and goodbye/Until we meet again". Algo como: "A história da vida é tão rápida quanto um piscar de olhos/A história do amor é olá e adeus/Até nos encontrarmos novamente". No dia seguinte, como em Purple Haze, ele foi beijar o céu.
Discografia básica
Are You Experienced? (1967)

Álbum de estréia, com forte influência psicodélica. Traz os clássicos Purple haze, Red house, Stone free, Hey Joe e Are you experienced?

Axis: Bold as Love (1967)

O segundo álbum traz pitadas de soul e rythym & blues, principalmente nas faixas Spanish castle magic, Little wing e Castle made of sand, além de If 6 was 9, incluída na trilha sonora de Easy Rider - filme dirigido por Dennis Hopper em 1969

Eletric Ladyland (1968)

O terceiro e último álbum de estúdio é o que melhor representa as habilidades de cantor, compositor, guitarrista e produtor de Hendrix. Destaque para Crosstown traffic, Gypsy eyes e All along the watchtower, composição de Bob Dylan

Band of Gypsys (1970)

Traz seis faixas gravadas durante shows no Fillmore East, em janeiro de 1970, entre elas Machine gun, Who knows e Message to love

* Matéria publicada no DIARIO DE PERNAMBUCO em 18/09/05.

Vagabundo

Ainda não cansei de ouvir "Vagabundo", trabalho do Ney Matogrosso em parceria com Pedro Luís e A Parede. Vi o show na Fábrica Tacuruna durante o Carnaval e fiquei embasbacada, depois do que corri atrás do disco. O show no Guararapes não pude ver (R$ 80, ninguém merece...). A sintonia de Ney e Pedro, tanto no palco quanto no estúdio, é total. O repertório é uma coisa, algumas músicas grudam feito chiclete, da música de abertura ("A ordem é samba", de Jackson do Pandeiro) ao final ("Jesus", do Pedro Luís), o que se vê é um show de talentos.

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